Receio que o que me atrai nesta cena em Montevideo possa não atrair mais ninguém.
A imagem não atende nenhum padrão vigente que a torne razoável sob o aspecto fotográfíco.
Para mim, no entanto, tem um valor próprio.
O ciclista da cena puxa um reboque no qual carrega coisas importantes para ele.
Não pude definir bem se utensílios e pertences ou lixo que coleta.
Mas é Sexta-Feira Santa e pelas ruas vazias da Ciudad Vieja este homem , enquanto a cidade dorme, movimenta-se à busca de seu sustento e dos que possam depender de suas pedaladas.
O valor da foto, para mim, está também no fato de que tive que correr para chegar na esquina a tempo de registar sua passagem já meio desaparecendo. Mas acho que não corri o suficiente, por isto a figura do ciclista já quase saindo do quadro.
Agora, cada vez que olho para o seu vulto na foto fico pensando: eis aí , como não poderia haver outro tão marcante , um autêntico ciclista anônimo.