segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Pensamentos de Final de Ano

Hoje, 30 de dezembro, antevéspera do final do ano, desço até à garagem e olho minha bicicleta que tem, ali, que conviver com os carros.
Olho e retorno para dentro de casa.
Vou até lá como se fôsse apenas para confirmar sua presença.Como para me certificar de que não fugiu.
Parece loucura mas passo a ter a sensação de que as bicicletas podem agir por conta própria. Passo a ter a sensação de que, como resultado de nosso descaso e de nosso desprezo, possam estar arquitetando algo sinistro. Silenciosamente como, segundo afirmam seus detratores, seria uma característica desta máquina que tem parte com o diabo.
Deixo passar um tempo e volto de novo a inspecionar. Talvez tenha, o que queria evitar, de prender minha bicicleta com uma corrente.
Terrível, realmente terrível e um tanto assustador.
Preocupa-me o fato de que todo ser sob grilhões desenvolve o potencial de um dia vir à desforra seja através de suas própriasmãos ou de seguidores, de descendentes ou de espíritos que fiquem vagando por aí

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Nossa Senhora dos Ciclistas

De repente eu quis que chovesse.
Na realidade esta vontade ou desejo coincidiu com o ouvir de uns primeiros pingos que me fêz apurar o ouvido para averiguar se realmente era chuva.
Era.
Uma chuva já meio de verão, já meio estival.
É claro que se chovesse, quantos ciclistas não ficariam prejudicados em empregar suas bicicletas. Quantos pais de família, de recursos tão exíguos, não teriam que contar as moedas e os trocados para tirar o valor da passagem de ônibus.
Ou quantos, sem mesmo esta pequena quantia, não teriam que enfrentar o mau tempo e tocar assim mesmo, sob chuva, pedalando suas heróicas bicicletas.
Ao pensar nisto passei a querer que não chovesse.
Mas a chuva, ao contrário, apertou.
Logo a seguir, no entanto, estancou.
Estaria brincando conosco, pobres ciclistas e escritores?
Neste momento dei-me conta de que não tínhamos um santo dos ciclistas.
Ou uma Nossa Senhora dos Ciclistas.
Urgia encontrar uma para ter a quem dirigir nossas orações e nossas preces.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Paralamas, prá que te quero


Os paralamas ultimamente não têm sido, em nosso meio ciclístico, um acessório de muito sucesso.
Quase obrigatório nos modelos antigos, símbolo de charme e elegância da bicicleta, quando, inclusive as mulheres pedalavam de saias , foi desaparecendo com a moda, iniciada com as "magrelas", das bicicletas "esportivas" ou de "corrida" em detrimento das de "passeio".
Passamos a achar normal nesta época, como as mulheres podem achar normal andar de salto alto de bico fino, o emprego de bicicletas de aro bem fino, selim minúsculo, guidão recurvo e tantas marchas quanto possível, para rodar por ruas esburacadas ou pavimentadas com pedras pontiagudas. Um martírio.
O número de marchas, aliás, passou a ser denotativo da "potência" da bicicleta mesmo que, fora da Volta da França, isto pudesse não ser tão relevante.
Só mais recentemente, pelo menos no Brasil, voltamos a ter preocupação com o conforto e não com a simples aparência "esportiva".
Os pneus voltaram a engordar dentro da linha "balão", os guidãos voltaram a subir, os selins voltaram a respeitar esta parte tão importante da anatomia humana que nos dá a condição de sentar confortavelmente ( que a exemplo da mão , o cérebro não tanto, nos distingue
das demais espécies animais) e, mais recentemente, foram introduzidos os "amortecedores", sem dúvida uma inovação significativa. E, last but not least, até mesmo voltaram os paralamas ,embora meio tímidos, meio pequenos, como que receosos de quebrarem o espírito reinante de “bikes” de “aventura”, agressivas, na linha “off-road,, “mountain” que o marketing tem nos vendido.
Na realidade, a maior aventura que o ciclista contemporâneo pode enfrentar, não são as trilhas , os desafios heróicos, os saltos acrobáticos, cinematográficos, muitas vezes patrocinados por empresas e marcas que tiram disto o seu lucro, mas a travessia pela selva urbana que centenas de milhares ciclistas tem por obrigação fazer, a caminho do trabalho ou do estudo, todos os dias, inexoravelmente, nas cidades brasileiras ( Maicon que o diga).
E aí as boas condições da bicicleta no requesito conforto e segurança , no qual são incluídos os paralamas, seriam as mais necessárias possíveis mas, justamente, é quando estas condições inexistem ou são bem precárias.
Isto talvez possa parecer uma digressão sobre o tema "paralamas" mas o tópico tem, de fato, uma conotação que não queria deixar de aludir.
E sucesso ao retorno de seu emprego embora seja um efeito que depende até muito mais de nós ciclistas decidirmos adotá-lo, pois se trata de um acessório de baixo custo, do que, nesse momento, da iniciativa das fábrica se bem pudesse servir para encarecer o seu produto.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Maicon, um ciclista

Não queria contar uma história triste, principalmente envolvendo um ciclista ou alguém que usa a bicicleta como um veículo integrante de seu trabalho e de sua sobrevivência.
Mas as histórias, mesmo tristes, são para serem contadas.
Vou contá-la , no entanto, por ser triste, de forma bem concisa.
Trata-se de Maicon, um jovem negro de 27 anos que apareceu, contratado como servente, numa obra que estou fazendo, em minha casa.
Vem todos os dias, quando não chove e o empreiteiro lhe dá trabalho, numa bicicleta bastante precária, de um bairro bem distante, muito pobre e muito problemático situado na zona Norte
Leva em torno de meia hora a uma hora.para chegar e, às vezes, vem mesmo quando chove. Acaba de ter um filho e um dia de trabalho conta muito.
Pois bem, um dia desses não apareceu.
No dia seguinte, contou que se deslocando na Andrade Neves , a mesma em que os moradores não querem a implantação de uma ciclofaixa, colidiu , próximo a Dom Joaquim e quando se deslocava no sentido do centro, contra a porta de um carro Corsa prata aberta pelo motorista no exato momento de sua passagem.
Por sorte não sofreu lesão grave mas teve a roda dianteira da bicicleta danificada,não permitindo seguir pedalando.
O motorista, causador do acidente, deu-lhe a título de indenização , trinta reais.
que acabou não cobrindo a despesa com o conserto da bicicleta, ainda por cima emprestada, que saiu por quarenta e cinco.
Maicon um trabalhador simples, sequer pensou que o fato merecia ao menos um registro e, conformado com sua má sorte, voltou para casa carregando a bicicleta com a roda dianteira suspensa no ar.
Somado ao prejuízo do dia de trabalho perdido, Maicon talvez tenha começado a pensar que andar de bicicleta decididamente pode não ser um bom negócio em cidades como Pelotas onde isto acaba envolvendo tantos riscos.
No outro dia, contudo, estava de novo aqui, agora em sua bicicleta própria , ainda mais precária que a primeira.
Sei que isto é de pouca ajuda mas o registro do fato e sua divulgação de alguma forma talvez possa nos fazer entender um pouco melhor a importância destes homens que em suas bicicletas simples se deslocam, aos milhares, no início e no fim dos dias, pelas ruas de nossa cidade ajudando a construí-la.

domingo, 19 de agosto de 2007

Considerações histórico-filosóficas

Por definição bicicleta é o caminho mais curto ( embora não o mais breve) entre dois pontos sobre rodas, duas rodas para ser exato.
Mais curto porque é o mais econômico, seja no sentido mais usual do termo, seja num sentido mais amplo como o que menos emprega recursos e , portanto, menos desperdiça.
As sociedades, aliás, poderiam ser divididas em dois grupos. As que não fizeram uso da bicicleta e as que passaram a adotá-la.
Os gregos, por exemplo, não a conheciam.
E por isto Aristóteles e Platão, que não costumavam andar a cavalo nem em veículos de tração animal, só andavam a pé.

Pedalando na Chuva

São nestes dias, os de chuva, que cabe a pergunta: dá para encarar?
Talvez com uma boa capa de chuva que proteja também a bicicleta.
Ou, então, tirar o velho carro da garagem e ver se ele ainda pega.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Rodar Silencioso

O silêncio que caracteriza o rodar das bicicletas e o tráfego em grupos, hábito costumeiro entre os ciclistas,oportunizará que os cegos, as crianças e o público em geral, corram os riscos de serem atropelados, com graves consequências. Quem arcará com os prejuízos e as indenizações? Quem serão os responsáveis?(extraído de um abaixo-assinado contrário à criação de uma ciclofaixa)

Ciclistas Anônimos

Pois bem, isto posto devemos ir adiante.
Buscando o equilíbrio sobre duas rodas ao mesmo tempo em que provocamos nosso movimento
impulsionando os pedais.
Brilhante, surpreendente e tão simples!
E uma bicicleta!

domingo, 5 de agosto de 2007

Pedalando no Site

A navegação na internet está sujeita a interferências, motivadas por diversos fatores, que podem prejudicá-la. Enumeramos alguns:1) um deles, muito comum, consiste em não se poder acessar determinadas páginas. O recomendável, sempre que isto sucede, é tentar recarregar ( reload) a página sucessivas vezes até que, possivelmente, o acesso ocorra.2) as fotos exibidas podem, normalmente, serem ampliadas numa janela clicando-se sobre elas. No caso, dando retorno, de não ser possível voltar à página anterior ( o que pode ocorrer) a alternativa é carregar de novo a página do site.3) se quiser fazer um comentário a respeito dos textos de qualquer uma das seções, o procedimento é clicar, ao final de cada texto, em "comentários" e escrever na janela que se abre, escolhendo uma identificação. O mais simples é optar por Nome/URL. Há também a opção de identificar-se no corpo da mensagem.4) Chamamos a atenção que, pelo layout adotado, é importante o correto emprego dos cursores. Em alguns casos pode ser necessário empregar os dois, um interno à direita da página e o outro, o usual, no canto direito da tela do monitor.5) Agradecemos todas as observações sobre problemas com a navegação assim como sugestões para melhor o desempenho do site.6) Aguardamos, também, seus comentários, eles se constituem na parte mais importante de nosso objetivo.