Sob o título acima a amiga e leitora de São Paulo, Susi Aissa ( com quem mantenho um acirrado debate sobre o fumo, que ela defende) decide fazer em seu blog uma alusão a Ciclistas Anônimos. Em viagem pela Rússia e Europa Central inclui algumas fotos de bicicletas, todas muito interessantes. A que aparece acima é de Viena e dá margem a várias leituras. Fica o convite à participação de quantos queiram manifestar sua visão. Inevitavelmente, é claro, a presença da corrente já conduz para determinados caminhos interpretativos. Mas serão caminhos que levam à liberdade ou que prolongam o encarceramento?
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Bicicletas Anônimas
Sob o título acima a amiga e leitora de São Paulo, Susi Aissa ( com quem mantenho um acirrado debate sobre o fumo, que ela defende) decide fazer em seu blog uma alusão a Ciclistas Anônimos. Em viagem pela Rússia e Europa Central inclui algumas fotos de bicicletas, todas muito interessantes. A que aparece acima é de Viena e dá margem a várias leituras. Fica o convite à participação de quantos queiram manifestar sua visão. Inevitavelmente, é claro, a presença da corrente já conduz para determinados caminhos interpretativos. Mas serão caminhos que levam à liberdade ou que prolongam o encarceramento?
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Um Sonho
Acordo-me, no meio da noite, com uma sensação indefinida.Devia estar no meio de um sonho pois algumas lembranças estavam ainda bem presentes como se tivessem a ver com acontecimentos recentes.
Mas eram, também, lembranças meio confusas como costumam frequentemente serem as lembranças de sonhos.
Uma coisa, no entanto, parecia fora de dúvida.
Em meu sonho havia bicicletas, muitas bicicletas.
Mas as situações em que estavam presentes eram diversas.
Algumas lembravam a infância pois apareciam bicicletas pequenas, algumas até com rodinhas laterais para ajudar o equilíbrio. Havia vozes, vozes de outras crianças, quase um alarido em meio ao qual em certos momentos, ao fundo, ouvia alguém, que pela voz parecia ser minha mãe, chamar meu nome
Noutras eram bicicletas "exóticas" com dois lugares, ou de uma roda só, como as de circo, ou uma roda bem grande acompanhada de outra pequena. De novo podiam-se ouvir vozes, mas agora totalmente indistintas como as de uma grande platéia.
Já em outras situações apareciam grandes aglomerações de bicicletas como se estivessem a ponto de ocupar o mundo ou, caso oposto, bicicletas solitárias ou abandonadas e, neste caso, nada se ouvia pois se fazia um grande silêncio.
Mas o que mais me deixou perturbado foi a visão de uma espécie de galpão dentro do qual se espalhavam bicicletas diversas penduradas no teto ou, simplesmente, amontoadas umas sobre as outras.
A princípio poderia parecer uma oficina mas a forma como apareciam dispostas, como se aguardando alguma coisa, algum acontecimento, concedia ao quadro uma atmosfera de filme noir.
Ainda tentei entender do que se tratava. Algum lugar que conhecesse mas cuja lembrança não me vinha?
Ou uma espécie de alucinação onírica que podem surgir no mundo próprio dos sonhos?
Ou alguma outra coisa, uma premonição, uma profecia?
Sem ter respostas para estas dúvidas acho que voltei a dormir.
Mas em algum lugar dentro de nosso mundo as bicicletas de minha visão continuavam lá, à espera de serem chamadas para a missão a qual teriam sido destinadas ( foto Nicoamano, Malta)
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Pedalando Junto
sábado, 19 de setembro de 2009
"Bike"
Sob o título “Bike”, o fotógrafo norte-americano Aref Nammari se dizendo motivado por meu interesse me dedica a foto acima a respeito da qual escrevi : “ gostaria de entender melhor porque bicicletas são tão atrativas. Terá algo a ver com sua simplicidade, com sua elegância? Bicicletas são sempre tão “magras” como se desenhadas a bico de pena... Neste caso particular há ainda a contribuir com estes elementos um refinado toque de abandono, de mistério...”Em resposta Aref escreveu: “ Bicicletas são maravilhas de engenharia. Mas não apenas isto pois quem pode esquecer a emoção da infância e o sentimento de realização e liberdade quando finalmente temos o domínio de pedalar? Um dia pedalando do trabalho fui pego por uma tempestade sem relâmpagos, apenas chuva forte. Inicialmente eu fiquei desanimado porque resultei todo encharcado. No entanto, este desânimo rapidamente se dissipou e eu voltei aos tempos quando criança pedalava não me importando muito se estava extremamente quente ou chovendo torrencialmente. Será por isto que quando adultos amamos bicicletas?”
sábado, 29 de agosto de 2009
Ciclista Atemporal
Por um momento, na tarde ensolarada, o tráfego intenso de veículos se interrompe.O ciclista aproveita, exatamente em um ponto onde ocorrem com frequencia acidentes de certa gravidade, para atravessar a rua.
Com muita calma, como se estivesse numa pequena cidade do interior.
Ou como se, a exemplo de Moisés, apartando as águas do Mar Vermelho, tivesse o caminho livre para avançar a salvo.
Mas não é só o tráfego que parece ter se interrompido.
É a própria atividade do Bairro.
O próprio Tempo.
De tal modo que deste momento só ficará este breve registro sem data.
Como única referência da hora do dia apenas a luz da tarde que cai projetando grandes sombras.
O ciclista, pincelando de azul este cenário, parece ainda definir seu rumo. Mas por um instante, mantendo-se no anonimato, torna-se o centro do universo, eterniza-se e, atemporal, se faz para sempre imortal.
sábado, 8 de agosto de 2009
Pedalando na Chuva
Acordo com uma vontade enorme de pedalar.
Motivado pela leitura, durante a noite, de aventuras arrojadas de ciclistas que se superam vencendo toda sorte de obstáculos, levanto com a determinação de engajar-me nesta espécie de cruzada de coragem, resistência física e destemor.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Pedalando Sobre as Águas
Homens de pouca fé que não acreditais em milagres!Vede e crede!
Ciclistas desanimados, descrentes que os administradores das cidades lembrem-se de vós e vos dêem condições de pedalar pelas ruas em segurança!
Se um ciclista pode pedalar sobre as águas, como nossos olhos ainda incrédulos podem ver, ciclovias podem ser feitas, ciclofaixas, bicicletários, enfim tudo que a pouca fé desacreditava.
Tende apenas que ter crença, muita crença e, sobretudo, rezar muito, orar muito diante das imagens destes senhores, políticos na maior parte. Em troca como oferenda nem pedem tanto, talvez apenas vossas espontâneas intenções de voto.
Sabemos que promessas, doutras vezes, já foram feitas.
Mas, agora, um milagre pode tornar tudo diferente.
E, iluminados por uma luz divina, talvez finalmente um pouco de entendimento os alcance e convertidos ao nosso evangelho nos acompanhem a divulgá-lo aos quatro cantos, pedalando pelas ruas do mundo. Amém. ( foto Mat Fot)
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Pedalando no Frio
As notícias são alarmantes. A gripe A (a mesma "suína" ou "porcina" para os castelhanos) entra no Rio Grande do Sul de mãos dadas com uma frente fria que afirmam ser a mais rigorosa depois de muitos anos.Temperaturas próximas de zero ou mesmo negativas.
Sensação térmica? Não dá nem para sentir quando as extremidades ficam como pedra e tudo que se busca é um canto onde se aquecer.
Cheguei a pensar: " que dia desafiador para pedalar... " mas, me encontrando na frente da lareira, esta idéia não progrediu muito.
Lembrei-me, então, de buscar minha bicicleta para compartilhar do calor do fogo.
Afinal, ela devia estar também sentindo muito frio.
Trouxe-a, portanto, e a deixei, apoiada no descanso, ao meu lado em frente à lareira.
Ficamos ali um bom tempo, pensando no verão distante mas, também, nos ciclistas e bicicletas anônimos que tenham de enfrentar a noite gélida para chegar aos seus destinos.
E enquanto permanecíamos próximos do fogo, a comunhão que sinto com minha bicicleta alcançou um grau ainda mais elevado ao ponto de que, em deteminados momentos, tinha uma espécie de sensação de que ela acompanhava meus pensamentos e, à sua maneira, sem deixar de ser máquina, tornava-se quase uma peça dotada de sensibilidade e de espírito.
Ou será esta impressão tão somente resultado das visões que, ao estar ao lado do fogo na noite mais fria da década, perpassam em frente aos nossos olhos hipnotizados pelas chamas?
Vou ficar nesta dúvida...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Seguidores Apóstolos
Quando surgiram os primeiros seguidores de Ciclistas Anônimos confesso que me surpreendi.Seriam como uma espécie de apóstolos?
Entre eles já estava o Poti Campos que se converteu ao ciclismo como Paulo de Tarso ao cristianismo. Poti relata, em alguma parte de seus escritos, como isto ocorreu, ou seja, como foi a sua estrada de Damasco.
Neste meio tempo foram surgindo outros seguidores até chegar aos atuais onze:Horacio,Victor Teramoto, Rejane, Poti Campos, Fernanda Tomiello, Maria Sandra, Luis Patricio, Indira, Gilda Viegas, Elen e Eduardo Kohlrausch.
Falta um para serem doze e completar o número de apóstolos.
Nossa missão?
Sair pregando o evangelho do pedal, ir espalhando a boa nova de que existe salvação para o mundo, para a poluição, para a desgraça que se abate sobre nossos corações em meio ao congestionamento do tráfego nas grandes e médias cidades.
Deixo o Horacio ir na frente, como o mais arrojado, sinalizando com a mão cada vez que vai dobrar para a direita ou para a esquerda pedalando na frente de um pelotão de automóveis. Aliás, presenciando isto, já tive a forte impressão de que os carros todos iriam seguí-lo como se estivessem sendo pastoreados.
O Poti pode escrever um dos Evangelhos.
Eu, como não quero ser Cristo nem crucificado, creio que fico com a missão de escrever um outro Evangelho.
Resta saber o que fariam a Fernanda e os outros que nos seguem. Uma primeira missão, aliás, é converter o Guto, o Gian e o Sandro que não estão entre nós. O Marcus Cunha também.
Por fim, precisamos de um milagre.
Talvez alguém, com estes dotes, possa sair andando de bicicleta sobre as águas...
quarta-feira, 10 de junho de 2009
A Bicicleta Na Minha Esquina
Ao sair de casa deparo-me, na esquina, com esta bicicleta.Verifico que está cuidada, com indícios, até pelo modelo, de poder tratar-se de uma bicicleta feminina , mas está sózinha, presa por um cabo com cadeado, ao suporte da placa de sinalização.
Seu dono ou dona, tudo indica, afastou-se para fazer alguma coisa, talvez até comprar algum medicamento na farmácia em frente.
A bicicleta, enquanto isto, companheira, aguarda quieta, sossegada, até seu retorno.
Ocorre-me que os cães e as bicicletas, talvez se possa dizer, sejam os melhores amigos do homem.
Não exigem muito, o que significa que podemos mantê-los com pouco. Têm a capacidade, quando não lhes damos muita atenção, de ficarem em um canto, sempre prontos, no entanto, a nos atender quando lembramos que estão por perto.
Mas voltando à bicicleta, simpatizei tanto com ela que pensei até em esperar pelo dono.
Queria cumprimentá-lo, dizer-lhe: " que bela bicicleta você tem, tão obediente!..."
Mas eu estava com pressa.
Disse tchau para a bicicleta e segui adiante.
Já mais distante olhei para trás e percebi que alguém se aproximava da bicicleta.
Seria um ladrão?!
Enquanto fiquei por um instante acompanhando a cena, a pessoa começou a livrar a bicicleta da placa.
Procurei então me aproximar para acompanhar melhor e só então, já mais perto, pude perceber que se tratava de uma mulher com os cabelos presos e boné.
Ainda tentei chegar mais perto ,com a intenção de tentar dizer-lhe alguma coisa, mas a oportunidade já passara.
Com a bicicleta já solta pôs-se de pronto em movimento com firmes pedaladas.
E como veio em minha direção constatei que era não só uma mulher, como percebera à distância, mas, além disto, muito atraente.
Quase salto à sua frente para dizer: "eu também sou um ciclista" mas já era tarde.
Passou por mim sem me perceber e foi logo se afastando perdendo-se de vista.
Meio desapontado prometi a mim mesmo, da próxima vez, olhar melhor pela volta quando encontrar uma bicicleta solitária aguardando que a venham buscar.
Tampouco posso me impedir, desde então, de espiar na esquina para ver se a bicicleta não voltou a aparecer...
terça-feira, 28 de abril de 2009
"O Ciclista" de Fernando Weno
Em meio às minhas incursões ciclísticas, encontro Fernando Weno que, entre vários desenhos, detém-se por um momento a representar um ciclista.Com poucos linhas o artista reproduz com traços sutis a atmosfera a um mesmo tempo poética e evocativa da riqueza do mundo do ciclismo.
Decido denominar seu trabalho, reproduzido ao lado, "O Ciclista".
Poderia intitular também "Ciclista Segurando a Bicicleta" ou " A Pausa do Ciclista". Enfim, já que o artista não deu um título, começo a buscar algum tirado de minhas conclusões.
Atrai-me também a postura aparentemente descontraída do ciclista.Parece aguardar alguma coisa ou então, simplesmente, estar fazendo uma pausa em sua pedalada.
Algo que, por outro lado, só pode ser consequência de minha imaginação, é a impressão que tenho do desenho estar associado a uma cena antiga.
O capacete, diferentemente dos atuais, coloridos, futuristas, parece uma espécie de pequeno elmo ou, melhor, um gorro ornado por uma pena que se inclina para trás!
A bermuda, em minha imaginação repito, lembra-me um culote.
Liberdades que, afinal, a arte nos permite e que a bicicleta, companheira de nossas divagações, nos induz.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Sarkozy, "O Ciclista"

Via de regra estas "personalidades", políticos sobretudo, só sobem numa bicicleta para "aparecer na foto" e não é difícil ver, em muitos casos, a enorme falta de familiaridade com o veículo.Confesso que tais cenas me deprimem e me sinto até desencorajado de pedalar por algum tempo. Imaginem Paulo Maluf se vangloriando de ser ciclista! Seria a desonra do ciclismo.
Mas temos que estar preparados para tudo. À medida que se aproximar a eleição do próximo ano e com a inclusão do ciclismo na pauta do debate das cidades, apostaria que vão surgir vários ciclistas de última hora. Não se surprendam se Dilma Rosseti aparecer, depois da cara nova, pedalando na inauguração de uma ciclovia do PAC. Ou se José Serra, muito desajeitado, inventar de se equilibrar encima de uma magrela. Aqui em Pelotas, não faz muito tempo, tivemos o caso de um prefeito que percorreu um trecho da avenida do Laranjal, pendurado encima de uma bicicleta a qual, coitada, deve ter vivido momentos de intranquilidade com a perspectiva de um tombo.
Mas, como disse, os exemplos já surgem com frequência e prometem se multiplicar. Um bem recente refere-se ao que foi noticiado como a visita de Sarkozy à sua mulher Carla Bruni. A foto registra este momento.Que romântico! Só falta o político francês estar empunhando um ramilhete de flores.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Um gaúcho ciclista
Estou de novo de volta a Tapes e, de novo, em razão dos barcos. terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
"Como é linda a liberdade"
O leitor de Ciclistas Anônimos, Zeca Baronio, escreve esta pequena crônica que nos parece dentro do espírito do espaço. Transcrevo:Deu vontade de postar essa imagem.
Tô só esperando meu ciclo-transporte voltar da revisão geral para, a partir da próxima segunda, pedalar 40 Km diários até o trabalho e volta. Um bom exercício… que tal? Chega de busum! Chega de suvaco fedido, roleta e sonolência.
Riscos fazem parte da vida, aliás, o que seria da vida se não fosse a emoção dos riscos diários? Tem gente que tem carro, tem gente que tem moto, eu escolhi a bicicleta.
Meus velhos amigos provavelmente devem estar achando que o Zeca mudou, que virou um esportista.
Resolvi simplificar um pouco a minha vida.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Bicicleta e Fotografia
Este é o tipo de foto (Fernanda Tomiello) que me faz pensar, não sei se primeiro na Fotografia e depois na Bicicleta, ou se o contrário, ou se nas duas coisas ao mesmo tempo.Da fotografia poderia dizer, por exemplo, que capta com o oportunismo que deve ser uma virtude do fotógrafo, um momento de especial expressão.
A cor vermelha do quadro, acrescenta um elemento que enriquece, pelo detalhe, o conjunto da foto.
Da bicicleta me ocorre comentar que se mostra naquilo que é a sua essência, a de ser um instrumento de trabalho do homem, uma espécie de ferramenta especial, obtida pela aplicação da tecnologia, e levada, no momento da foto, consigo, pela mão, como uma filha, uma companheira. Esta parceria, esta união, estão muito bem acentuadas quando o ciclista desce da bicicleta para poderem seguir avançando ladeira acima.
A bicicleta apresenta-se deste modo como bem mais que um objeto de consumo, às vezes até mesmo de luxo, ou um artigo que deva satisfazer à vaidade ou traduzir um status social.
Investida de uma dignidade que supera estas manifestações subalternas, sua presença representa, isto sim, algo que está incorporado à nossa cultura em vários níveis de intervenção, desde o transporte, quando se incorpora ao trabalho, passando pelo lazer, até chegar no domínio das artes e dos sentimentos.
Bicicleta e Fotografia caminham assim, pela mão do homem, para nos conceder um espaço de liberdade e conscientização.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Bicicletas do Interior
Enquanto nas cidades "grandes" ( Porto Alegre, Rio, São Paulo, etc.) os ciclistas lutam desesperadamente para garantir um espaço de circulação, em cidades pequenas, do "interior", este espaço parece ainda garantido. São Lourenço do Sul, a respeito da qual ainda me deterei melhor, mostra-se como um exemplo bem significativo desta situação.Mas outros exemplos, por certo, poderiam ser apresentados.
Retornando de uma navegada , passo por Tapes e registro algumas cenas onde isto se evidencia.
Carros, pedestres e ciclistas, assim como outros eventuais usuários das vias, parecem conviver em harmonia. As bicicletas, inclusive, passam a fazer parte da paisagem urbana, tranquilamente estacionadas nas calçadas.
A foto ilustra uma destas cenas. Diante do prédio dos Correios, duas bicicletas disfrutam de toda a tranquilidade que o ambiente proporciona. Tranquilidade, claro, que deve ser sentida também por seus proprietários.
Estas cidades constituem-se assim em oásis ou paraísos onde refugiarem-se os ciclistas do estresse e da quase caçada vivenciada nos grandes centros.
Quem sabe investimos em reunirmos amantes do ciclismo em cidades como estas para passarem suas férias pedalando?
sábado, 27 de dezembro de 2008
Ciclo-reflexão
Grande parte das discussões e da mobilização em torno do ciclismo mostra-se vinculada às suas dimensões esportiva, de lazer ou urbana. Por isto quando não se está discutindo competições , o assunto são passeios, cicloturismo ou ciclovias com boas condições de utilização.Pergunto-me, no entanto, se o universo do ciclismo se encerra dentro deste referencial na realidade até um pouco fechado em torno de valores que podem ser bastante individualistas.
Pergunto-me sem ter, na realidade, uma resposta para apresentar.
Fico, contudo, imaginando o papel que as bicicletas podem ter em comunidades pobres nas quais, além de elas estarem em condições normalmente bem precárias, são poucas e precisam ser compartilhadas por várias pessoas.
Enquanto passamos a achar normal em alguns estamentos de nossa sociedade as famílias terem mais de um automóvel, imagino que haja outros, em outros contextos, nos quais uma bicicleta atende a uma família inteira. Qual o valor que tem exatamente para estas pessoas a bicicleta?
Não sei responder, como posso ter resposta para algo que não estamos acostumados a viver, não estamos acostumados nem a pensar?
Mas, pelo menos isto, queria que pudéssemos alcançar, que os ciclistas se tornassem cidadãos-ciclistas e fizessem comigo esta ciclo-reflexão.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Don Quixote e os ciclistas
Na postagem anterior escrevo que "o ciclista surge neste ambiente inóspito como um tipo de figura quixotesca a duelar a cada esquina, a cada quadra com máquinas metálicas, velozes e mortíferas." segunda-feira, 21 de julho de 2008
Ciclistas de Buenos Aires

Surpreende em Buenos Aires, com o tráfego intenso que se observa em sua zona central, o grande número de ciclistas que circulam( na foto um deles ziguezagueando para escapulir dos carros). Ou, melhor dizendo, malabaristas, equilibrando-se sobre duas rodas enquanto executam movimentos sinuosos cercados de riscos e perigos por todos os lados.
Realmente espanta.
Desconheço dados sobre acidentes mas fica a impressão que não devam ser poucos.
Por outro lado resta por explicar, tendo em vista este número tão expressivo de ciclistas e o conceito que Buenos Aires procura sustentar de metrópole cultural, como não existam vias próprias para a circulação de bicicletas.
As condições seriam bem favoráveis para isto. As avenidas são bem largas e a topografia é plana.
Mas o império do automóvel, a exemplo de tantas cidades, é poderoso.
O ciclista surge neste ambiente inóspito como um tipo de figura quixotesca a duelar a cada esquina, a cada quadra com máquinas metálicas, velozes e mortíferas.
Indiferentes, contudo, a estes perigos, os ciclistas passam rápidos, ágeis, esquivando-se aqui e ali, descobrindo espaços para passar onde o bloqueio e a muralha de carros parece indevassável.
Como os admiro, ciclistas anônimos, em sua inconsequência, em seu destemor que cria um elemento tão forte de oposição, de contradição e, ao mesmo tempo, de esperança à ditadura implacável do automóvel !
A respeito deles é importante sublinhar que a grande maioria está envolvido com seu trabalho. Muitos vêm de pontos distantes, dos arrabaldes, trazendo suas bicicletas de trem até a estação mais próxima da zona central de Buenos Aires onde se misturam a muitos outros, executando atividades diversas (a de estafeta é bem típica e parece congregar os ciclistas mais temerários) de trabalho ou de estudo.
E parecem ter sempre um motivo muito forte para se arriscarem tanto seja êle econômico ou de tempo.
Resta-nos aguardar que algum dia Buenos Aires seja mais amena para propiciar a nós pobres mortais, ciclistas de carne e osso, alguns meros turistas como eu, podermos percorrer de bicicleta suas lindas ruas e avenidas.
Aí sim, Buenos Aires estaria mais próxima da Paris da qual se gaba ser uma espécie de irmã.
sábado, 5 de julho de 2008
Tabela de Estacionamento
Dizem que no mundo capitalista tudo tem seu valor ou que tudo tem seu preço. Qualquer coisa, independentemente do que seja. Em se tratando do que representa a bicicleta esta tabela, afixada num estacionamento no centro, talvez dê uma pequena idéia do que representa em relação a outros veículos. Poder-se-ia até especular que está bem valorizada tendo em conta que o seu estacionamento por hora representa pouco menos que 50% do valor estipulado para um veículo pequeno. Seria ótimo se a bicicleta tivesse a mesma atenção das administrações que tem estes veículos em algo perto desta proporção. Mas certamente não tem. Ou seja a bicicleta é duplamente discriminada primeiro quando é esquecida no planejamento urbano ou então, o, , ao ser lembrada, é tratada como se fôsse algo raro, quase um objeto de luxo tendo que pagar o correspondente por esta cotação .É com esta lógica que temos que lidar e que nos cabe, sem perder a poesia combater. A poesia, só para explicitar, deve ser entendida como a qualidade que, sem deixar de lado a luta e o ativismo, enriquece-os com o que agrega de elementos culturais, criativos e humanos.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
World Naked Bike Ride
Num primeiro momento, muito pudico, mas bem divertido com ampla divulgação de roupas íntimas, cuecas, calcinhas e sutiãs.
Quando um mais atrevido, resta saber se adepto do ciclismo ou do nudismo, propôs-se a levar o espírito do protesto ao pé da letra, foi de imediato detido por policiais e a manifestação, segundo foi noticiado, teria acabado por aí em protestos pelas detenções.
Mas, além da diversão, o evento valeu por ter alcançado a mídia nacional e também posto a nú, isto sim, as limitações do poder público, evidenciado na negativa de autorização e na ação policial, grotesca, em lidar com este tipo de ato e , por conseqüência, com a própria questão do emprego da bicicleta nos centros urbanos.
Aqui pelo Rio Grande do Sul talvez qualquer dia algum grupo se anime a promover algo semelhante.
Terá apenas que escolher muito bem a época do ano.
Agora, por exemplo, duvido que tivesse algum sucesso.
Só de esperar que me tirassem esta foto, com o mínimo de roupa que podia em apoio aos ciclistas de São Paulo, fiquei tremendo de frio...
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Proibido para Ciclistas
sábado, 24 de maio de 2008
Paisagens de Outono
Ainda não sei o que vou escrever sobre esta foto.Aliás, será uma foto mesmo ou alguma coisa que imaginei?
O que será real nesta cena?
Onde termina a pintura, onde estão os limites da tela?
Como não sei o que responder, aguardo para escrever quando puder me situar melhor diante destas questões.
Enquanto isto deixo-me levar pela impressão de que estou sonhando, de que pedalando deixei-me adormecer e acordei num mundo em que somos mais livres, mais puros, deixando-nos fundir com as paisagens do outono
terça-feira, 13 de maio de 2008
Adeus ao sossêgo
Penso até em chamar um táxi mas, na volta, se não quissesse ficar jogando dinheiro fora, teria que voltar a pé também.
E de bicicleta, daria tempo?
O trajeto não é longo e, num instante coloco meu prendedor na barra do abrigo e estou na rua, pedalando.
Tomo a Rua Santa Cruz, uma rua relativamente calma, com pouco trânsito de automóveis.
A maior razão parece ser o calçamento de pedras, em alguns trechos irregular.
Não saberia apontar outra.
Mas esta rejeição dos automobilistas é que a torna tão interessante.
Em pleno centro da cidade, parece que saímos um pouco fora dele e, embora o pavimento nos trechos de pedra irregular torne pedalar em parte desconfortável, eu diria que isto é perfeitamente compensado pela tranquilidade que se ganha.
Tranquilidade, contudo, que parece não irá durar.
Com os recursos obtidos para asfaltamento da cidade revestem-se rapidamente várias ruas de betume preto.
E ao que se anuncia brevemente a Santa Cruz.
Que coisa insana!
Cobrir a beleza e a nobreza da pavimentação de pedra, muitas vezes de paralepípedos perfeitamente regulares que foram colocados um a um , e estão ali há muitas décadas,pelo asfalto que traz consigo o fluxo de automóveis, velocidades altas e o desperdício econômico da permanente manutenção.

Neste ponto os ciclistas, sempre prontos a reivindicar também pistas asfaltadas,poderiam fazer um reflexão pois mais daninho que o pavimento irregular é o automóvel que vem atrás do asfalto.
Bem são estas reflexões que vou fazendo enquanto me encaminho para a dentista.
Na volta tomo a ciclofaixa da Andrade Neves. Melhorou, sem dúvida, as condições de trafegabilidade para os ciclistas mas espanta que uma estreita faixa ( muito estreita na realidade) de pouco mais de um metro delimitada por uma linha pintada que já começa a perder a tinta, tenha levado cerca de um ano e meio para ser executada.
E,por enquanto, isto e a ciclofaixa do Laranjal, parece ser tudo que em décadas foi permitido às bicicletas obter.
Retomo a Santa Cruz e aproveitando dois leves ( levíssimos) declives que tem neste sentido, deixo-me levar pela força da gravidade.
Neste momento estou na contramão mas tenho consciência de que quem está realmente na contramão não somos nós os ciclistas mas os responsáveis por esta política desprovida de visão.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Prendedor de Calça
Em meio às discussões que tratam da incorporação de tecnologias de ponta ao ciclismo ( sistemas de computação, materiais como titânio, carbono e os mais diversos recursos modernos), confesso que me sinto um pouco intimidado de falar em um simples e singelo prendedor de calça.Mas um dia desses, decidindo pedalar com um abrigo com a boca da perna um pouco larga e não tendo protetor da coroa central, senti a necessidade do acessório.
Um recurso simples e bastante, digamos, "caseiro" é empregar um prendedor de roupa, destes usados em varais, para prender a calça. E acho que foi o que empreguei.
Como eu disse, em meio a tantas discussões sobre recursos avançados à disposição do ciclista, a solução pode parecer até grosseira. Mas, na verdade, não o é, funciona muito bem e tem um significado para a cultura ciclística muito grande.
Animado pela redescoberta lembrei-me da existência de um outro tipo de prendedor com o qual, por razões que levaria um tempo para explicar, não simpatizava, e que consiste de uma mola em curva que se fecha sobre o tornozelo.
Por ser um acessório meio antigo e nunca mais tê-lo visto, imaginei que não o encontraria mais.
No entanto, um pouco surpreso e ao mesmo tempo deliciado, encontrei-o em uma oficina de bicicletas. O proprietário inclusive me informou que eles podem ser obtidos nas cores do time de futebol da predileção. Ia pedir vermelho e preto, cores de meu time o xavante pelotense, mas não tinha.
Aliás, embora subsistam, entendi que estes prendedores não são muito usados sendo até meio raros.
Uma pena porque são muito úteis e , a exemplo dos paralamas, seu desuso parece-me resultado muito mais de nossa débil cultura ciclística do que consequência de uma pseudo evolução tecnológica.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Bicicletas Abandonadas

Segundo a notícia elas estão à disposição dos seus donos, desde que comprovem ser os proprietários, na Central de Achados, na Estação Farrapos. Caso ninguém procure as bicicletas no prazo de seis meses, elas serão entregues ao Setor de Relações Comunitárias para serem doadas a entidades beneficentes cadastradas na empresa.
Fico pensando, como pode alguém, um ciclista!, esquecer sua bicicleta?
Se alguém entra de bicicleta dentro do trem certamente tem a intenção de seguir sua viagem pedalando. Como poderia não se dar conta de sua falta? Ou não se dá, o mais provável, a tempo de recuperá-la? E depois, como provar que a bicicleta é sua? É freqüente os proprietários de bicicleta não disporem de documentos de seus veículos.
Ou teriam sido abandonadas voluntariamente?
Pobres bicicletas abandonadas!
Á espera que definam sua sorte, doadas possivelmente, como diz a notícia, para entidades beneficentes.
Se tivessem sentimentos (e não os tem?) que dor não estariam sentindo, jogadas em um depósito, lembrando os bons momentos vividos em dias de melhor sorte.
Talvez fosse a ocasião de pensar em criar alguma organização para amparar estas bicicletas, jogadas ao abandono por parte de donos irresponsáveis, e dar-lhes um destino digno através da adoção ou outra forma de aproveitamento.
Se morasse em Porto Alegre, iria visitá-las e dar-lhes conforto e cuidados.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Subindo a Ladeira
Bem próximo daqui, pela rua Dom Pedro II, existe uma das poucas ladeiras de Pelotas.
Como é de certo modo conhecido, a cidade é muito plana e, por isto mesmo, apontada como ideal para o emprego da bicicleta.
Mas a sua zona mais central, onde estão localizados os prédios mais importantes, entre eles a Prefeitura, a Biblioteca, os dois teatros, Sete de Abril e Guarany, o Grande Hotel, o Mercado Público, os casarões mais imponentes, etc., etc., ocupam uma zona levemente mais alta, que depois vai se prolongar pela maior parte da cidade, poucos metros acima da zona mais baixa que antigamente seriam zonas de várzea.
Pois bem, estas considerações são apenas para situar a cena que presenciei.
Tendo saído à noite para percorrer as adjacências deparo-me, ao chegar ao alto da ladeira a que me refiro, com um ciclista, negro, um pouco gordo, tentando com um certo esforço, superá-la sem sair do selim.
Acompanho sua tentativa acreditando que terá que levantar do selim para ajudar, com todo o impulso proporcionado pelo corpo, vencer a gravidade.
Mas ele resiste e, de uma forma que me surpreende, alcança o alto da ladeira sem se erguer, sentado como se estivesse sentado numa cadeira.
Tenho um impulso de interceptá-lo para cumprimentá-lo mas me detenho.
Ele é muito rápido e, mal supera o obstáculo, já segue adiante.
Mas dois aspectos me chamam muito a atenção.
Ao primeiro já me referi. O nosso herói é gordo, bem longe de qualquer modelo de atleta.
Segundo, sua bicicleta é extremamente precária e , enquanto subia, a correia ia escapando das pinhas como que se negando a participar daquele esforço.
Aliás, num dado momento, quando já chegava ao topo da ladeira e demonstrava disposição física para não parar, foi uma insuficiência mecânica que mais comecei a temer.
Enfim, no entanto, homem e máquina superam as dificuldades e, juntos, seguem triunfantes.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Calibrando os pneus
Aliás, devo confessar que vou lá para tratar de meu veículo motorizado.
Afinal, ninguém é perfeito.
Neste momento,porém, o mais importante é avançar contra um vento leve que me exige pedalar com um pouco mais de energia.
Aproveito para ir fazendo algumas reflexões sobre minha bicicleta.
O selim é meio duro, os punhos do guidão igualmente, dou-me conta que a pretender pedalar mais, preciso ter mais conforto e, igualmente, mais eficiência.
Afinal, nada contra a tecnologia que tem sido aproveitada de forma tão decidida pela indústria de bicicletas.
O pensamento que talvez fôsse necessário ter presente, no entanto, é que estas melhorias, além de via de regra implicarem em custos bastante altos, não substituem e, talvez apenas complementem, as melhorias e os avanços que fundamentalmente são necessários na infraestrutura viária para as bicicletas.
Como justificar, por exemplo, a necessidade de amortecedores e pneus largos para transitar dentro da área urbana?
A idéia que fica ao se ver a prioridade que acessórios deste tipo passam a ter no equipamento das bicicletas, é de que as bicicletas devem estar preparadas para provas de obstáculos em meio a trilhas as mais difíceis.
Novamente, assim,fica evidenciado o modo como em nossa cultura tendemos a tomar o acessório pelo essencial, a parte pelo todo, o boato pela verdade, a retórica pelo discurso e o exibicionismo pela atração.
Bem, chego ao meu destino e trato de dar umas poucas libras a mais nos pneus antes de voltar.
Só que, desta vez, já não posso mais ouvir o sussurrar dos pneus a marcar o ritmo de meu pedalar.
Acho que vou esvaziá-los de novo...
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Confissões
Vejo, no entanto, que há barreiras a este entendimento, a esta compreensão.
Por isto, quando pedalo, sinto-me muitas vezes meio solitário.
Embora centenas, milhares de outros ciclistas também pedalem pelas ruas, muitas vezes não sinto que nos una mais do que a necessidade premente de nos deslocarmos a um custo que seja o mais baixo possível.
Não me dá a impressão de que os ciclistas que encontro estejam felizes.
A grande massa dos que pedalam, pelo menos em minha cidade, estão indo ou voltando do emprego e, tanto no emprego que tem ou na casa para qual retornam, são muitas as dificuldades que encontram e parte destas preocupações, certamente, viajam com eles de carona.
Além disto sua atenção tem que estar permanentemente tão requisitada para não serem atropelados e não perderem a própria vida, que parece haver pouco tempo para usufruir da incrível sensação de liberdade de pedalar.
Não queria que este fôsse um registro triste até porque falar de ciclismo e de bicicletas sempre me anima muito, mas não posso evitar.
Nestes momentos, de qualquer forma, me consola e me dá ânimo saber que em minha cidade e em outras cidades pelo mundo todo, muitos ciclistas e muitos amantes de bicicletas, superam as adversidades e lançam-se às ruas sózinhos ou em pequenos ou grandes grupos, às vezes em eventos organizados ou em manifestações, impulsionando seus veículos mágicos como quem impulsiona a própria esperança
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Pensamentos de Final de Ano
Olho e retorno para dentro de casa.
Vou até lá como se fôsse apenas para confirmar sua presença.Como para me certificar de que não fugiu.
Parece loucura mas passo a ter a sensação de que as bicicletas podem agir por conta própria. Passo a ter a sensação de que, como resultado de nosso descaso e de nosso desprezo, possam estar arquitetando algo sinistro. Silenciosamente como, segundo afirmam seus detratores, seria uma característica desta máquina que tem parte com o diabo.
Deixo passar um tempo e volto de novo a inspecionar. Talvez tenha, o que queria evitar, de prender minha bicicleta com uma corrente.
Terrível, realmente terrível e um tanto assustador.
Preocupa-me o fato de que todo ser sob grilhões desenvolve o potencial de um dia vir à desforra seja através de suas própriasmãos ou de seguidores, de descendentes ou de espíritos que fiquem vagando por aí


