segunda-feira, 16 de junho de 2008

World Naked Bike Ride

O World Naked Bike Ride chegou ao Brasil, em São Paulo.
Num primeiro momento, muito pudico, mas bem divertido com ampla divulgação de roupas íntimas, cuecas, calcinhas e sutiãs.
Quando um mais atrevido, resta saber se adepto do ciclismo ou do nudismo, propôs-se a levar o espírito do protesto ao pé da letra, foi de imediato detido por policiais e a manifestação, segundo foi noticiado, teria acabado por aí em protestos pelas detenções.
Mas, além da diversão, o evento valeu por ter alcançado a mídia nacional e também posto a nú, isto sim, as limitações do poder público, evidenciado na negativa de autorização e na ação policial, grotesca, em lidar com este tipo de ato e , por conseqüência, com a própria questão do emprego da bicicleta nos centros urbanos.
Aqui pelo Rio Grande do Sul talvez qualquer dia algum grupo se anime a promover algo semelhante.
Terá apenas que escolher muito bem a época do ano.
Agora, por exemplo, duvido que tivesse algum sucesso.
Só de esperar que me tirassem esta foto, com o mínimo de roupa que podia em apoio aos ciclistas de São Paulo, fiquei tremendo de frio...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Proibido para Ciclistas

Fórum Mundial da Educação em Santa Maria-RS.
Um espaço para todas as idéias, todas as teorias e formulações.
Um espaço de discussão, de pensar no futuro, de abrir os horizontes.
Só esqueceram de tirar a placa, só esqueceram de convidar os ciclistas, precursores
e arautos deste novo amanhecer

sábado, 24 de maio de 2008

Paisagens de Outono

Ainda não sei o que vou escrever sobre esta foto.
Aliás, será uma foto mesmo ou alguma coisa que imaginei?
O que será real nesta cena?
Onde termina a pintura, onde estão os limites da tela?
Como não sei o que responder, aguardo para escrever quando puder me situar melhor diante destas questões.
Enquanto isto deixo-me levar pela impressão de que estou sonhando, de que pedalando deixei-me adormecer e acordei num mundo em que somos mais livres, mais puros, deixando-nos fundir com as paisagens do outono

terça-feira, 13 de maio de 2008

Adeus ao sossêgo

Levanto de manhã com o compromisso de, na primeira hora, ir à dentista. Falta pouco menos que quinze minutos quando estou pronto para sair.Penso em pegar uma carona de carro mas teria que voltar a pé.
Penso até em chamar um táxi mas, na volta, se não quissesse ficar jogando dinheiro fora, teria que voltar a pé também.
E de bicicleta, daria tempo?
O trajeto não é longo e, num instante coloco meu prendedor na barra do abrigo e estou na rua, pedalando.
Tomo a Rua Santa Cruz, uma rua relativamente calma, com pouco trânsito de automóveis.
A maior razão parece ser o calçamento de pedras, em alguns trechos irregular.
Não saberia apontar outra.
Mas esta rejeição dos automobilistas é que a torna tão interessante.
Em pleno centro da cidade, parece que saímos um pouco fora dele e, embora o pavimento nos trechos de pedra irregular torne pedalar em parte desconfortável, eu diria que isto é perfeitamente compensado pela tranquilidade que se ganha.
Tranquilidade, contudo, que parece não irá durar.
Com os recursos obtidos para asfaltamento da cidade revestem-se rapidamente várias ruas de betume preto.
E ao que se anuncia brevemente a Santa Cruz.
Que coisa insana!
Cobrir a beleza e a nobreza da pavimentação de pedra, muitas vezes de paralepípedos perfeitamente regulares que foram colocados um a um , e estão ali há muitas décadas,pelo asfalto que traz consigo o fluxo de automóveis, velocidades altas e o desperdício econômico da permanente manutenção.



Neste ponto os ciclistas, sempre prontos a reivindicar também pistas asfaltadas,poderiam fazer um reflexão pois mais daninho que o pavimento irregular é o automóvel que vem atrás do asfalto.
Bem são estas reflexões que vou fazendo enquanto me encaminho para a dentista.
Na volta tomo a ciclofaixa da Andrade Neves. Melhorou, sem dúvida, as condições de trafegabilidade para os ciclistas mas espanta que uma estreita faixa ( muito estreita na realidade) de pouco mais de um metro delimitada por uma linha pintada que já começa a perder a tinta, tenha levado cerca de um ano e meio para ser executada.
E,por enquanto, isto e a ciclofaixa do Laranjal, parece ser tudo que em décadas foi permitido às bicicletas obter.
Retomo a Santa Cruz e aproveitando dois leves ( levíssimos) declives que tem neste sentido, deixo-me levar pela força da gravidade.
Neste momento estou na contramão mas tenho consciência de que quem está realmente na contramão não somos nós os ciclistas mas os responsáveis por esta política desprovida de visão.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Prendedor de Calça

Em meio às discussões que tratam da incorporação de tecnologias de ponta ao ciclismo ( sistemas de computação, materiais como titânio, carbono e os mais diversos recursos modernos), confesso que me sinto um pouco intimidado de falar em um simples e singelo prendedor de calça.
Mas um dia desses, decidindo pedalar com um abrigo com a boca da perna um pouco larga e não tendo protetor da coroa central, senti a necessidade do acessório.
Um recurso simples e bastante, digamos, "caseiro" é empregar um prendedor de roupa, destes usados em varais, para prender a calça. E acho que foi o que empreguei.
Como eu disse, em meio a tantas discussões sobre recursos avançados à disposição do ciclista, a solução pode parecer até grosseira. Mas, na verdade, não o é, funciona muito bem e tem um significado para a cultura ciclística muito grande.
Animado pela redescoberta lembrei-me da existência de um outro tipo de prendedor com o qual, por razões que levaria um tempo para explicar, não simpatizava, e que consiste de uma mola em curva que se fecha sobre o tornozelo.
Por ser um acessório meio antigo e nunca mais tê-lo visto, imaginei que não o encontraria mais.
No entanto, um pouco surpreso e ao mesmo tempo deliciado, encontrei-o em uma oficina de bicicletas. O proprietário inclusive me informou que eles podem ser obtidos nas cores do time de futebol da predileção. Ia pedir vermelho e preto, cores de meu time o xavante pelotense, mas não tinha.
Aliás, embora subsistam, entendi que estes prendedores não são muito usados sendo até meio raros.
Uma pena porque são muito úteis e , a exemplo dos paralamas, seu desuso parece-me resultado muito mais de nossa débil cultura ciclística do que consequência de uma pseudo evolução tecnológica.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bicicletas Abandonadas


Lendo notícias sobre ciclismo, inteiro-me que, após a criação de um programa, em dezembro de 2007, favorecendo o transporte de bicicletas no Trensurb (sistema de trem urbano de Porto Alegre), duas delas foram esquecidas por seus usuários dentro do trem.
Segundo a notícia elas estão à disposição dos seus donos, desde que comprovem ser os proprietários, na Central de Achados, na Estação Farrapos. Caso ninguém procure as bicicletas no prazo de seis meses, elas serão entregues ao Setor de Relações Comunitárias para serem doadas a entidades beneficentes cadastradas na empresa.
Fico pensando, como pode alguém, um ciclista!, esquecer sua bicicleta?
Se alguém entra de bicicleta dentro do trem certamente tem a intenção de seguir sua viagem pedalando. Como poderia não se dar conta de sua falta? Ou não se dá, o mais provável, a tempo de recuperá-la? E depois, como provar que a bicicleta é sua? É freqüente os proprietários de bicicleta não disporem de documentos de seus veículos.
Ou teriam sido abandonadas voluntariamente?
Talvez os donos, cansados de suas bicicletas, tenham decidido deixá-las em um lugar no qual teriam um destino.
Pobres bicicletas abandonadas!
Á espera que definam sua sorte, doadas possivelmente, como diz a notícia, para entidades beneficentes.
Se tivessem sentimentos (e não os tem?) que dor não estariam sentindo, jogadas em um depósito, lembrando os bons momentos vividos em dias de melhor sorte.
Talvez fosse a ocasião de pensar em criar alguma organização para amparar estas bicicletas, jogadas ao abandono por parte de donos irresponsáveis, e dar-lhes um destino digno através da adoção ou outra forma de aproveitamento.
Se morasse em Porto Alegre, iria visitá-las e dar-lhes conforto e cuidados.
Como não moro, talvez ciclistas que estejam próximos, possam ter este gesto de humanidade para com máquinas tão sensíveis e, neste caso, tão desamparadas, esquecidas na Central de Achados.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Subindo a Ladeira

Sempre atento às manifestações que envolvem o ciclismo, chamou-me bastante a atenção um fato que, de tão simples, teria passado despercebido a muitos.
Bem próximo daqui, pela rua Dom Pedro II, existe uma das poucas ladeiras de Pelotas.
Como é de certo modo conhecido, a cidade é muito plana e, por isto mesmo, apontada como ideal para o emprego da bicicleta.
Mas a sua zona mais central, onde estão localizados os prédios mais importantes, entre eles a Prefeitura, a Biblioteca, os dois teatros, Sete de Abril e Guarany, o Grande Hotel, o Mercado Público, os casarões mais imponentes, etc., etc., ocupam uma zona levemente mais alta, que depois vai se prolongar pela maior parte da cidade, poucos metros acima da zona mais baixa que antigamente seriam zonas de várzea.
Pois bem, estas considerações são apenas para situar a cena que presenciei.
Tendo saído à noite para percorrer as adjacências deparo-me, ao chegar ao alto da ladeira a que me refiro, com um ciclista, negro, um pouco gordo, tentando com um certo esforço, superá-la sem sair do selim.
Acompanho sua tentativa acreditando que terá que levantar do selim para ajudar, com todo o impulso proporcionado pelo corpo, vencer a gravidade.
Mas ele resiste e, de uma forma que me surpreende, alcança o alto da ladeira sem se erguer, sentado como se estivesse sentado numa cadeira.
Tenho um impulso de interceptá-lo para cumprimentá-lo mas me detenho.
Ele é muito rápido e, mal supera o obstáculo, já segue adiante.
Mas dois aspectos me chamam muito a atenção.
Ao primeiro já me referi. O nosso herói é gordo, bem longe de qualquer modelo de atleta.
Segundo, sua bicicleta é extremamente precária e , enquanto subia, a correia ia escapando das pinhas como que se negando a participar daquele esforço.
Aliás, num dado momento, quando já chegava ao topo da ladeira e demonstrava disposição física para não parar, foi uma insuficiência mecânica que mais comecei a temer.
Enfim, no entanto, homem e máquina superam as dificuldades e, juntos, seguem triunfantes.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Calibrando os pneus

O leve sussurrar dos pneus contra a pavimentação me faz suspeitar que estão com pouca pressão.Mas ando sem bomba, terei que esperar até chegar a meu destino, uma oficina mecânica, para verificar isto.
Aliás, devo confessar que vou lá para tratar de meu veículo motorizado.
Afinal, ninguém é perfeito.
Neste momento,porém, o mais importante é avançar contra um vento leve que me exige pedalar com um pouco mais de energia.
Aproveito para ir fazendo algumas reflexões sobre minha bicicleta.
O selim é meio duro, os punhos do guidão igualmente, dou-me conta que a pretender pedalar mais, preciso ter mais conforto e, igualmente, mais eficiência.
Afinal, nada contra a tecnologia que tem sido aproveitada de forma tão decidida pela indústria de bicicletas.
O pensamento que talvez fôsse necessário ter presente, no entanto, é que estas melhorias, além de via de regra implicarem em custos bastante altos, não substituem e, talvez apenas complementem, as melhorias e os avanços que fundamentalmente são necessários na infraestrutura viária para as bicicletas.
Como justificar, por exemplo, a necessidade de amortecedores e pneus largos para transitar dentro da área urbana?
A idéia que fica ao se ver a prioridade que acessórios deste tipo passam a ter no equipamento das bicicletas, é de que as bicicletas devem estar preparadas para provas de obstáculos em meio a trilhas as mais difíceis.
Novamente, assim,fica evidenciado o modo como em nossa cultura tendemos a tomar o acessório pelo essencial, a parte pelo todo, o boato pela verdade, a retórica pelo discurso e o exibicionismo pela atração.
Bem, chego ao meu destino e trato de dar umas poucas libras a mais nos pneus antes de voltar.
Só que, desta vez, já não posso mais ouvir o sussurrar dos pneus a marcar o ritmo de meu pedalar.
Acho que vou esvaziá-los de novo...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Confissões

Queria me inspirar mas confesso que encontro dificuldades. Queria que minha cidade e a sua cultura, os seus costumes, os seus valores, olhassem com mais carinho e mais cuidado para os ciclistas e entendessem melhor o que eles podem representar de positivo, de saudável e até mesmo de divertido e poético para todos nós seus moradores.
Vejo, no entanto, que há barreiras a este entendimento, a esta compreensão.
Por isto, quando pedalo, sinto-me muitas vezes meio solitário.
Embora centenas, milhares de outros ciclistas também pedalem pelas ruas, muitas vezes não sinto que nos una mais do que a necessidade premente de nos deslocarmos a um custo que seja o mais baixo possível.
Não me dá a impressão de que os ciclistas que encontro estejam felizes.
A grande massa dos que pedalam, pelo menos em minha cidade, estão indo ou voltando do emprego e, tanto no emprego que tem ou na casa para qual retornam, são muitas as dificuldades que encontram e parte destas preocupações, certamente, viajam com eles de carona.
Além disto sua atenção tem que estar permanentemente tão requisitada para não serem atropelados e não perderem a própria vida, que parece haver pouco tempo para usufruir da incrível sensação de liberdade de pedalar.
Não queria que este fôsse um registro triste até porque falar de ciclismo e de bicicletas sempre me anima muito, mas não posso evitar.
Nestes momentos, de qualquer forma, me consola e me dá ânimo saber que em minha cidade e em outras cidades pelo mundo todo, muitos ciclistas e muitos amantes de bicicletas, superam as adversidades e lançam-se às ruas sózinhos ou em pequenos ou grandes grupos, às vezes em eventos organizados ou em manifestações, impulsionando seus veículos mágicos como quem impulsiona a própria esperança

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Pensamentos de Final de Ano

Hoje, 30 de dezembro, antevéspera do final do ano, desço até à garagem e olho minha bicicleta que tem, ali, que conviver com os carros.
Olho e retorno para dentro de casa.
Vou até lá como se fôsse apenas para confirmar sua presença.Como para me certificar de que não fugiu.
Parece loucura mas passo a ter a sensação de que as bicicletas podem agir por conta própria. Passo a ter a sensação de que, como resultado de nosso descaso e de nosso desprezo, possam estar arquitetando algo sinistro. Silenciosamente como, segundo afirmam seus detratores, seria uma característica desta máquina que tem parte com o diabo.
Deixo passar um tempo e volto de novo a inspecionar. Talvez tenha, o que queria evitar, de prender minha bicicleta com uma corrente.
Terrível, realmente terrível e um tanto assustador.
Preocupa-me o fato de que todo ser sob grilhões desenvolve o potencial de um dia vir à desforra seja através de suas própriasmãos ou de seguidores, de descendentes ou de espíritos que fiquem vagando por aí

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Nossa Senhora dos Ciclistas

De repente eu quis que chovesse.
Na realidade esta vontade ou desejo coincidiu com o ouvir de uns primeiros pingos que me fêz apurar o ouvido para averiguar se realmente era chuva.
Era.
Uma chuva já meio de verão, já meio estival.
É claro que se chovesse, quantos ciclistas não ficariam prejudicados em empregar suas bicicletas. Quantos pais de família, de recursos tão exíguos, não teriam que contar as moedas e os trocados para tirar o valor da passagem de ônibus.
Ou quantos, sem mesmo esta pequena quantia, não teriam que enfrentar o mau tempo e tocar assim mesmo, sob chuva, pedalando suas heróicas bicicletas.
Ao pensar nisto passei a querer que não chovesse.
Mas a chuva, ao contrário, apertou.
Logo a seguir, no entanto, estancou.
Estaria brincando conosco, pobres ciclistas e escritores?
Neste momento dei-me conta de que não tínhamos um santo dos ciclistas.
Ou uma Nossa Senhora dos Ciclistas.
Urgia encontrar uma para ter a quem dirigir nossas orações e nossas preces.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Paralamas, prá que te quero


Os paralamas ultimamente não têm sido, em nosso meio ciclístico, um acessório de muito sucesso.
Quase obrigatório nos modelos antigos, símbolo de charme e elegância da bicicleta, quando, inclusive as mulheres pedalavam de saias , foi desaparecendo com a moda, iniciada com as "magrelas", das bicicletas "esportivas" ou de "corrida" em detrimento das de "passeio".
Passamos a achar normal nesta época, como as mulheres podem achar normal andar de salto alto de bico fino, o emprego de bicicletas de aro bem fino, selim minúsculo, guidão recurvo e tantas marchas quanto possível, para rodar por ruas esburacadas ou pavimentadas com pedras pontiagudas. Um martírio.
O número de marchas, aliás, passou a ser denotativo da "potência" da bicicleta mesmo que, fora da Volta da França, isto pudesse não ser tão relevante.
Só mais recentemente, pelo menos no Brasil, voltamos a ter preocupação com o conforto e não com a simples aparência "esportiva".
Os pneus voltaram a engordar dentro da linha "balão", os guidãos voltaram a subir, os selins voltaram a respeitar esta parte tão importante da anatomia humana que nos dá a condição de sentar confortavelmente ( que a exemplo da mão , o cérebro não tanto, nos distingue
das demais espécies animais) e, mais recentemente, foram introduzidos os "amortecedores", sem dúvida uma inovação significativa. E, last but not least, até mesmo voltaram os paralamas ,embora meio tímidos, meio pequenos, como que receosos de quebrarem o espírito reinante de “bikes” de “aventura”, agressivas, na linha “off-road,, “mountain” que o marketing tem nos vendido.
Na realidade, a maior aventura que o ciclista contemporâneo pode enfrentar, não são as trilhas , os desafios heróicos, os saltos acrobáticos, cinematográficos, muitas vezes patrocinados por empresas e marcas que tiram disto o seu lucro, mas a travessia pela selva urbana que centenas de milhares ciclistas tem por obrigação fazer, a caminho do trabalho ou do estudo, todos os dias, inexoravelmente, nas cidades brasileiras ( Maicon que o diga).
E aí as boas condições da bicicleta no requesito conforto e segurança , no qual são incluídos os paralamas, seriam as mais necessárias possíveis mas, justamente, é quando estas condições inexistem ou são bem precárias.
Isto talvez possa parecer uma digressão sobre o tema "paralamas" mas o tópico tem, de fato, uma conotação que não queria deixar de aludir.
E sucesso ao retorno de seu emprego embora seja um efeito que depende até muito mais de nós ciclistas decidirmos adotá-lo, pois se trata de um acessório de baixo custo, do que, nesse momento, da iniciativa das fábrica se bem pudesse servir para encarecer o seu produto.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Maicon, um ciclista

Não queria contar uma história triste, principalmente envolvendo um ciclista ou alguém que usa a bicicleta como um veículo integrante de seu trabalho e de sua sobrevivência.
Mas as histórias, mesmo tristes, são para serem contadas.
Vou contá-la , no entanto, por ser triste, de forma bem concisa.
Trata-se de Maicon, um jovem negro de 27 anos que apareceu, contratado como servente, numa obra que estou fazendo, em minha casa.
Vem todos os dias, quando não chove e o empreiteiro lhe dá trabalho, numa bicicleta bastante precária, de um bairro bem distante, muito pobre e muito problemático situado na zona Norte
Leva em torno de meia hora a uma hora.para chegar e, às vezes, vem mesmo quando chove. Acaba de ter um filho e um dia de trabalho conta muito.
Pois bem, um dia desses não apareceu.
No dia seguinte, contou que se deslocando na Andrade Neves , a mesma em que os moradores não querem a implantação de uma ciclofaixa, colidiu , próximo a Dom Joaquim e quando se deslocava no sentido do centro, contra a porta de um carro Corsa prata aberta pelo motorista no exato momento de sua passagem.
Por sorte não sofreu lesão grave mas teve a roda dianteira da bicicleta danificada,não permitindo seguir pedalando.
O motorista, causador do acidente, deu-lhe a título de indenização , trinta reais.
que acabou não cobrindo a despesa com o conserto da bicicleta, ainda por cima emprestada, que saiu por quarenta e cinco.
Maicon um trabalhador simples, sequer pensou que o fato merecia ao menos um registro e, conformado com sua má sorte, voltou para casa carregando a bicicleta com a roda dianteira suspensa no ar.
Somado ao prejuízo do dia de trabalho perdido, Maicon talvez tenha começado a pensar que andar de bicicleta decididamente pode não ser um bom negócio em cidades como Pelotas onde isto acaba envolvendo tantos riscos.
No outro dia, contudo, estava de novo aqui, agora em sua bicicleta própria , ainda mais precária que a primeira.
Sei que isto é de pouca ajuda mas o registro do fato e sua divulgação de alguma forma talvez possa nos fazer entender um pouco melhor a importância destes homens que em suas bicicletas simples se deslocam, aos milhares, no início e no fim dos dias, pelas ruas de nossa cidade ajudando a construí-la.

domingo, 19 de agosto de 2007

Considerações histórico-filosóficas

Por definição bicicleta é o caminho mais curto ( embora não o mais breve) entre dois pontos sobre rodas, duas rodas para ser exato.
Mais curto porque é o mais econômico, seja no sentido mais usual do termo, seja num sentido mais amplo como o que menos emprega recursos e , portanto, menos desperdiça.
As sociedades, aliás, poderiam ser divididas em dois grupos. As que não fizeram uso da bicicleta e as que passaram a adotá-la.
Os gregos, por exemplo, não a conheciam.
E por isto Aristóteles e Platão, que não costumavam andar a cavalo nem em veículos de tração animal, só andavam a pé.

Pedalando na Chuva

São nestes dias, os de chuva, que cabe a pergunta: dá para encarar?
Talvez com uma boa capa de chuva que proteja também a bicicleta.
Ou, então, tirar o velho carro da garagem e ver se ele ainda pega.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Rodar Silencioso

O silêncio que caracteriza o rodar das bicicletas e o tráfego em grupos, hábito costumeiro entre os ciclistas,oportunizará que os cegos, as crianças e o público em geral, corram os riscos de serem atropelados, com graves consequências. Quem arcará com os prejuízos e as indenizações? Quem serão os responsáveis?(extraído de um abaixo-assinado contrário à criação de uma ciclofaixa)

Ciclistas Anônimos

Pois bem, isto posto devemos ir adiante.
Buscando o equilíbrio sobre duas rodas ao mesmo tempo em que provocamos nosso movimento
impulsionando os pedais.
Brilhante, surpreendente e tão simples!
E uma bicicleta!

domingo, 5 de agosto de 2007

Pedalando no Site

A navegação na internet está sujeita a interferências, motivadas por diversos fatores, que podem prejudicá-la. Enumeramos alguns:1) um deles, muito comum, consiste em não se poder acessar determinadas páginas. O recomendável, sempre que isto sucede, é tentar recarregar ( reload) a página sucessivas vezes até que, possivelmente, o acesso ocorra.2) as fotos exibidas podem, normalmente, serem ampliadas numa janela clicando-se sobre elas. No caso, dando retorno, de não ser possível voltar à página anterior ( o que pode ocorrer) a alternativa é carregar de novo a página do site.3) se quiser fazer um comentário a respeito dos textos de qualquer uma das seções, o procedimento é clicar, ao final de cada texto, em "comentários" e escrever na janela que se abre, escolhendo uma identificação. O mais simples é optar por Nome/URL. Há também a opção de identificar-se no corpo da mensagem.4) Chamamos a atenção que, pelo layout adotado, é importante o correto emprego dos cursores. Em alguns casos pode ser necessário empregar os dois, um interno à direita da página e o outro, o usual, no canto direito da tela do monitor.5) Agradecemos todas as observações sobre problemas com a navegação assim como sugestões para melhor o desempenho do site.6) Aguardamos, também, seus comentários, eles se constituem na parte mais importante de nosso objetivo.