sábado, 22 de janeiro de 2011

Bicicletas de Amsterdam

Minha lembrança mais forte de Amsterdam não são apenas as bicicletas, mas também os canais. As bicicletas, no entanto, estão lá, por toda a parte, como se a cidade tivesse se tornado uma espécie de ponto internacional de convergência para elas. Dá a ímpressão de uma espécie de ocupação, preenchendo todos os espaços, aliás exíguos, da cidade. É preciso entender que isto tem a ver com o fato de que, na área central, a presença e a circulação de carros é bastante difícil. Na foto, ao fundo, uma rara presença destes veículos. As bicicletas, tirando proveito desta vantagem natural sobre seu maior adversário, reinam quase absolutas. Até os pedestres ficam um pouco em segundo plano. Lembro de ter despertado a ira de um ciclista pois devia estar circulando em uma área não recomendada. Praguejou qualquer coisa, possivelmente em holandês pois não entendi nada. Pelo jeito, devia ser algo do tipo: "sai da frente idiota" ou, "olha onde anda boca aberta!" Isto, é evidente, considerando que não fôsse nada mais ofensivo.
Mas os canais, entrecortados por pontezinhas, algumas das quais até elevadiças, é que mexeram mais com minha imaginação. Em alguns pontos barcos ancoram ao longo dos canais , como também se pode ver na foto e, em alguns casos, até se tornam moradias.
As bicicletas, no entanto, até por uma questão numérica, predominam.
Talvez por isto, na foto, parecem observar de forma tão ameaçadora os automóveis do outro lado do canal como se estivessem tomando a decisão de expulsá-los para fora dos limites da cidade que permaneceria, a partir deste momento, inteiramente destinada aos barcos e às bicicletas.
Amsterdam se tornaria assim a primeira cidade livre do mundo!
(foto:P.R.Baptista)

2 comentários:

  1. Nao entendo teu romantismo, estas bicicletas impressionam, meio
    predadoras, gataria mansa olhando a chuva, ou a pack of thieves, ares
    the louva-deus com cornos de aco, esqueletos de terminators magros de
    fome..

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  2. Ciclistas Anônimos23 de janeiro de 2011 09:19

    Rabelevich, não se trata de romantismo, como num filme de Hitchcock(The Birds?) procuro não ser desagradável e desviar a atenção sobre mim...

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Talvez não saiba mas pode ser que tenhamos, em outros momentos, pedalado juntos. Pedalado em todos os terrenos que a bicicleta propicia entre eles os da criação e participação. Se chegou até aqui é quase certo que sim.Escreva seu comentário. Ele é parte fundamental deste processo.