sábado, 2 de novembro de 2013

Distante Moscou


Seria um sonho? Uma visão?
Ultimamente misturavam-se em sua mente fatos ocorridos com situações nas quais não conseguia distinguir muito bem a origem.
De modo que olhava para a cena diante de seus olhos na distante Moscou, com o edifício Kotelnicheskaya Embankment ao fundo, e procurava entender o que via.
Uma noiva a caminho do altar, atrasada como uma noiva comum?
Ou apenas uma modelo posando para um fotógrafo à procura de um resultado criativo?
Parecia ouvir, no entanto, a fazê-lo recuar de interpretações mais prosaicas, ecos de antigas manifestações, sons e gritos vindos do passado, convocando para a revolução.
Mas nada disso parecia estampado ali naquela cena.
Apenas, talvez, o vazio de um grande espaço o qual a esperança de uma jovem mulher, preparando-se para sair de bicicleta ao encontro de seu amor e seu destino, servia para preencher.
Enfim, não saberia mais o que dizer.
A não ser acrescentar que, junto com o leve vento que se percebia soprar, o céu nublado parecia anunciar uma virada do tempo.
Iria chover? 

2 comentários:

  1. que bonito ler isso!
    ciclismo é poesia e liberdade.

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  2. Ciclistas Anônimos2 de novembro de 2013 18:41

    Anônimo, serias ciclista? Serias a ciclista prestes a pedalar pela distante Moscou?

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Talvez não saiba mas pode ser que tenhamos, em outros momentos, pedalado juntos. Pedalado em todos os terrenos que a bicicleta propicia entre eles os da criação e participação. Se chegou até aqui é quase certo que sim.Escreva seu comentário. Ele é parte fundamental deste processo.